Cibersegurança

Agências de viagem na mira: phishing e fraude em pagamentos no turismo

Fraude no turismo raramente começa com invasão de sistema. Começa com um e-mail que parece verdadeiro, uma fatura com dados trocados ou uma mensagem pedindo para "confirmar" um pagamento já realizado. A agência que fecha dezenas de pacotes por semana, com Pix, cartão, permuta e parcelamento acontecendo ao mesmo tempo, é exatamente o ambiente em que esses golpes funcionam melhor.

Fábio Giusti, arquiteto de soluções pré-vendas. 8 minutos de leitura
Agências de viagem na mira: phishing e fraude em pagamentos no turismo

Fraude no turismo raramente começa com invasão de sistema. Começa com um e-mail que parece verdadeiro, uma fatura com dados trocados ou uma mensagem pedindo para "confirmar" um pagamento já realizado. A agência que fecha dezenas de pacotes por semana, com Pix, cartão, permuta e parcelamento acontecendo ao mesmo tempo, é exatamente o ambiente em que esses golpes funcionam melhor.


O tamanho do problema aparece nos dados. Uma pesquisa publicada em outubro de 2026 pela NordVPN e pela Saily analisou 494 vazamentos ligados ao setor de turismo entre janeiro de 2021 e agosto de 2026 e contabilizou cerca de 119,4 milhões de registros de turistas expostos. Nomes completos apareceram em 92% dos casos, telefones em 87%, endereços em 78% e senhas em 46%. Esses dados não somem depois do vazamento: eles circulam e alimentam golpes por meses.


Por que o setor de turismo atrai golpistas?


O turismo reúne, em uma única operação, tudo que um criminoso precisa para agir: alto volume de pagamentos, comunicação constante com clientes e fornecedores por e-mail e aplicativo, dados de cartão em circulação e urgência nas transações.


Uma reserva de viagem concentra nome completo, documento, data de nascimento, telefone, e-mail, endereço, itinerário, datas em que a casa ficará vazia e, muitas vezes, dados de pagamento. Para quem aplica golpes, é o kit completo. Com esses dados em mãos, a mensagem falsa parece legítima porque cita informações reais da reserva.


Some a isso a pressão da temporada. Em dezembro e janeiro, agências fecham pacotes em sequência, equipes trabalham sobrecarregadas e o cliente quer garantir a tarifa antes que ela suba. Nesse contexto, a verificação cuidadosa perde para a velocidade. É exatamente aí que o phishing funciona melhor.

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Como funciona o phishing no turismo?


Os golpes mais comuns no setor seguem três roteiros que o relatório da Action Fraud sobre fraudes na Booking.com ajuda a ilustrar. Entre junho de 2023 e setembro de 2024, o órgão britânico de combate à fraude recebeu 532 denúncias de golpes envolvendo contas de hotéis comprometidas na plataforma, com prejuízo total de £370 mil.


Sequestro da reserva. Com dados reais em mãos, o criminoso se passa pela agência, pelo hotel ou pela companhia aérea. A mensagem informa que é preciso "confirmar" ou "complementar" o pagamento, geralmente via Pix ou link de cartão. O detalhe que engana: a mensagem cita o nome correto do cliente, o destino real e as datas certas.


Comprometimento do e-mail corporativo. Um colaborador clica em uma mensagem falsa, a conta é tomada e o criminoso passa a responder clientes e fornecedores a partir da caixa legítima. A partir daí, ele troca os dados bancários em faturas e confirmações de pagamento. O cliente recebe um e-mail que veio, de fato, do endereço da agência.


Malware disfarçado de suporte. Técnicas como o ClickFix induzem o funcionário a colar e executar um comando para "corrigir um erro" no sistema, instalando um programa que rouba credenciais do sistema de reservas, do GDS e do e-mail corporativo.

A maioria dessas invasões começa com credenciais legítimas obtidas por phishing, não com vulnerabilidades técnicas sofisticadas. A principal porta de entrada é humana.


Fraude em pagamentos: o golpe que atinge o caixa direto


A fraude em pagamentos é o desdobramento mais caro do phishing no turismo. Depois de comprometer o e-mail de um colaborador ou de um fornecedor, o criminoso monitora a troca de mensagens e intervém quando uma fatura está prestes a ser paga.


A agência aguarda a confirmação de pagamento ao hotel ou à operadora. O criminoso, já com acesso à caixa de e-mail, envia uma mensagem informando que houve "atualização dos dados bancários" e solicita que o pagamento seja feito para a nova conta. A mensagem vem do endereço correto, usa o mesmo padrão de comunicação e cita valores reais.


Quando a transferência é feita, o dinheiro vai para a conta do golpista. O hotel nunca recebe, a reserva não é confirmada e a agência perde o valor duas vezes: no pagamento ao criminoso e, muitas vezes, no reembolso ao cliente.


As consequências vão além do prejuízo financeiro imediato. A agência que paga uma fatura falsa e não entrega a reserva prometida responde ao cliente pelo problema. Dependendo do caso, isso inclui chargeback no cartão de crédito, reclamações no Procon e, potencialmente, responsabilização sob a LGPD (Lei nº 13.709/2018) quando dados pessoais estiverem envolvidos no incidente.


O impacto de um incidente para uma agência de viagem


Um ataque bem-sucedido gera consequências em camadas. A primeira é financeira e imediata: o valor desviado, o reembolso ao cliente e as horas gastas em atendimento de crise. A segunda é operacional: enquanto o incidente é investigado e contido, a operação normal fica comprometida.


A terceira camada é a mais duradoura: reputação. Uma agência que tem os dados dos clientes expostos ou que deixa uma reserva sem confirmação por fraude carrega isso por muito tempo. Em um setor que depende de confiança e de indicação, o dano reputacional pode ser maior que o financeiro.


Há ainda o risco regulatório. A Resolução CD/ANPD nº 15/2024 estabelece que incidentes com risco ou dano relevante aos titulares precisam ser comunicados à ANPD e aos clientes em até três dias úteis. Uma agência que não tem visibilidade sobre o que aconteceu nos seus sistemas não consegue cumprir esse prazo.


Como proteger a operação na prática?


As defesas mais eficazes combinam tecnologia e processo. Nenhuma das duas, sozinha, é suficiente.


Autenticação de e-mail com SPF, DKIM e DMARC em modo de rejeição. Esses três protocolos impedem que terceiros enviem mensagens em nome do domínio da agência. Sem eles, qualquer pessoa pode enviar um e-mail que parece vir do seu endereço. A configuração correta do DMARC em modo de rejeição é o que diferencia proteção real de proteção parcial.


Autenticação multifator em todos os sistemas críticos. E-mail corporativo, sistema de reservas, GDS e portais de operadoras precisam de MFA. Credencial comprometida sem MFA é acesso imediato. Com MFA, o criminoso precisa de um segundo fator que ele não tem.


Proteção de endpoints com EDR/XDR. Essa camada detecta e bloqueia a execução de scripts suspeitos nos computadores da equipe, incluindo os colaboradores temporários contratados para a alta temporada.


Regra de ouro para pagamentos. Nenhuma alteração de dados bancários é processada com base em e-mail ou mensagem, independentemente de onde a mensagem veio. Toda mudança é confirmada por um segundo canal já conhecido, como telefone com número verificado anteriormente.


Treinamento da equipe, incluindo temporários. Phishing funciona porque as pessoas clicam. Um treinamento curto e prático, focado nos golpes mais comuns do setor, reduz significativamente a superfície de ataque humana.


O papel da infraestrutura segura na prevenção


Processos bem definidos não bastam quando a infraestrutura que os sustenta tem brechas. Um ambiente de e-mail corporativo bem configurado, com filtro anti-spam, proteção anti-phishing, análise de anexos em sandbox e varredura de URLs, reduz o volume de mensagens maliciosas que chegam à caixa de entrada antes de qualquer decisão humana.


Monitoramento contínuo do ambiente permite identificar comportamentos anômalos, como acesso à caixa de e-mail a partir de um IP desconhecido ou envio em massa de mensagens, antes que o dano se consolide. Backup imutável garante que, mesmo em caso de ransomware ou comprometimento de sistema, a operação seja restaurada a partir de uma cópia íntegra.


A Proteção de E-mail da PWS Cloud combina filtro anti-spam, anti-phishing, sandbox de anexos e varredura de URLs. Junto com a Cibersegurança gerenciada, que inclui monitoramento contínuo e resposta a incidentes, e o Backup com cópias imutáveis, essas soluções formam uma base que protege a operação sem depender de que cada colaborador tome a decisão certa em cada mensagem que recebe.


Checklist: o que revisar na segurança da sua agência?

Marque o que a sua operação já tem configurado:

  • SPF, DKIM e DMARC ativos, com DMARC em modo de rejeição

  • MFA ativado no e-mail corporativo, no sistema de reservas e no GDS

  • Proteção de endpoints (EDR/XDR) nos computadores da equipe, incluindo temporários

  • Regra documentada de que alterações de dados bancários são confirmadas por canal alternativo

  • Treinamento de phishing realizado nos últimos seis meses

  • Backup imutável com restauração testada nos últimos 90 dias

  • Monitoramento ativo do ambiente de e-mail e de acessos


Se três ou mais itens ficaram sem marcação, a operação tem brechas abertas antes mesmo do pico de vendas.


Proteger a operação é proteger a confiança do cliente


Fraude no turismo não é um risco abstrato. É uma ameaça concreta que usa dados reais, explora a urgência da temporada e tem como alvo preferencial exatamente o tipo de operação que uma agência de viagens representa. Nomes, documentos, itinerários e dados de pagamento circulando em e-mails e sistemas durante o dia inteiro criam uma superfície de ataque permanente.


A proteção começa antes do incidente: com autenticação de e-mail configurada, MFA em todo sistema crítico, equipe treinada e infraestrutura monitorada. Quem chega ao pico com essas camadas no lugar tem uma operação muito mais difícil de comprometer.


Se quiser avaliar como está o ambiente atual da sua agência, a equipe da PWS Cloud está disponível para essa conversa. Fale com um especialista e receba um diagnóstico sem compromisso.

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